Sobre Germinar (grão de bico e trigo sarraceno)

A primeira vez que ouvi falar sobre germinados foi no programa “A dieta do paleolítico” que passou no 24Kitchen no ano passado, conduzida pelo Chef Pete Evans. Na altura fiz este post e podem também consultar os videos do seu canal The Paleo Way, com partes transmitidas nesta série.

Na altura foi a propósito de um pão de banana. Em vez de utilizar simplesmente o grão de trigo sarraceno, este tinha sido germinado.

Tratei de pesquisar e encontrei este blog: http://esmeraldazul.com/pt/blog/aprenda-a-germinar-alimentos-em-casa/ 

Fiz o meu pãozinho de banana com o trigo sarraceno germinado, gostei muito do sabor e acabei por repetir a experiência várias vezes. 

Reparei que podíamos germinar outros cereais, sementes e leguminosas, mas não dei muita atenção, principalmente porque não tinha por hábito consumir estes alimentos. Devo ter passado uns dois anos sem consumir leguminosas. Não sentia propriamente falta, mas gosto de grão e era algo que uma vez por outra acabava por pensar “será que desta vez me vai cair bem?” Mas jogava pelo seguro e não consumia.  Comer grão ou outras leguminosas, era inchaço na certa e, sem muitos rodeios, que já andamos aqui juntos há muito tempo, resultava em gases. E se obviamente não é o melhor cenário do mundo, por várias razões, também é sinal de que algo não está bem

Entretanto comecei a acompanhar a Nutricionista Catarina Lopes e aprendi que ao demolharmos e germinarmos este tipo de alimentos (leguminosas principalmente), diminuímos em muito os anti-nutrientes que naturalmente têm (“para se protegerem”) como os fitatos

Estes anti-nutrientes impedem que consigamos usufruir dos benefícios que esse alimento tem e inclusivamente podem perturbar a absorção de outros nutrientes dessa refeição. 

Muitas pessoas não fazem qualquer tipo de reação, mas não é muito incomum associar o feijão, por exemplo, a inchaço abdominal e maior dificuldade na digestão. Penso que simplesmente a maioria das pessoas não dá importância e continua a consumir, embora não se sinta bem com isso. 

Tratei então de fazer a experiência com grão e, mais tarde, com feijão (mungo), ambos biológicos.

  • O primeiro passo é – sempre – demolhar!
  • Depois basta manter num ambiente “húmido”. No verão podem ter de humedecer várias vezes, por estar mais calor. Pelo menos duas vezes por dia. Com o trigo sarraceno, por ser mais pequenino, para não dar tanto trabalho a humedecer, utilizo este sistema. O que faço é colocar água através do pano e depois viro ao contrário para tirar o excesso. Isto também é muito importante: é mesmo apenas para humedecer, não podem deixar imensa água no fundo (corre mal – trust me!!) 
  • Vejam os tempos recomendados para demolhar e germinar no artigo que vos indiquei acima: http://esmeraldazul.com/pt/blog/aprenda-a-germinar-alimentos-em-casa/ Varia conforme o tipo de grão/leguminosa 

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E… txanaaannnnnn ZERO dificuldades na digestão, zero inchaço e zero puns

Isto não quer dizer que agora vá comer feijão e grão todos os dias, simplesmente tenho mais alguma liberdade para variar a minha alimentação e, quando me apetecer, sei que posso comer sem problemas. 

 

Partilho convosco dois excertos que encontrem em sites e que acho que podem ser interessantes. No final de cada um encontram o link de onde foi retirado, para que consultem o artigo completo se tiverem interesse. 

“A germinação é o processo pelo qual a pequena semente se desenvolve, dando origem a uma nova planta. 

A água, o oxigénio e o calor, são os principais factores intervenientes durante esta transformação. A água permite activar as enzimas que desencadeiam uma cascata de reacções nas quais se formam aminoácidos, vitaminas, açúcares simples, ácidos gordos, clorofila, minerais e oligoelementos. A abundância de enzimas, faz dos germinados um alimento de fácil digestão. Além disso, quando uma semente começa a germinar, o seu conteúdo em nutrientes multiplica-se de uma forma espantosa, chegando a atingir um aumento de 1400% no caso de certas vitaminas. Obtemos assim um alimento fresco, pleno de substâncias activas, e uma boa fonte de energia para todas as idades.”

Link: http://terrasolta.org/2011/04/germinados-nao-perca-esta-explosao-de-vida-a-sua-mesa

Quais são os anti-nutrientes? Os mais amplamente estudados incluem:

Fitato = reservatório de fosfato para a planta (ácido fítico): encontrado principalmente em sementes, grãos e legumes (cereais integrais, soja, amendoim), o fitato reduz a absorção de minerais, como ferro, zinco, magnésio e cálcio, numa refeição. Os níveis de fitato são reduzidos durante o processamento de alimentos, como o cozimento e fermentação.

Taninos: uma classe de polifenóis antioxidantes (chá verde, preto, mate) que podem prejudicar a digestão de vários nutrientes. Ocorrem nos grãos de alguns cereais e leguminosas (alguns feijões).

Lectinas: Encontradas em todas as plantas alimentares, especialmente em sementes, legumes e grãos. Algumas lectinas podem ser prejudiciais em quantidades elevadas, e interferem na absorção de nutrientes.

Inibidores de protease: amplamente distribuídos entre as plantas, especialmente em sementes, grãos e legumes. Eles interferem na digestão de proteínas por inibição de enzimas digestivas.

Oxalato = ácido oxálico (oxalato de cálcio): diminui a biodisponibilidade de cálcio, por exemplo. A forma primária de cálcio em muitos vegetais, como espinafre, ruibarbo, acelga, beterraba, tomate, nozes, cacau. O cálcio ligado ao oxalato é muito pouco absorvido. (dica: não tomar leite junto com cacau porque diminui a absorção do cálcio).

Nitratos – vegetais são fonte naturais de nitrato, composto utilizado como fonte de nitrogênio para o crescimento das plantas. Estima-se que os vegetais, em particular os verdes folhosos como espinafre, contribuam com mais de 70% do nitrato total ingerido. As concentrações normais de nitrato e nitrito nos alimentos naturais dependem do uso de fertilizantes e das condições nas quais os alimentos são cultivados, colhidos e armazenados – comprando orgânicos, evita-se esse tipo de super-concentração! 

Link: https://organicamente.org/2015/08/como-reduzir-anti-nutrientes-em-alimentos/

 

Agora quero ouvir-vos desse lado!

Já tinham ouvido falar neste processo de germinação? Já experimentaram?

Consomem estes alimentos? Também têm dificuldades na digestão?

Ficaram tentados a experimentar?

 

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2 thoughts on “Sobre Germinar (grão de bico e trigo sarraceno)

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